TOCOU O GONG DA CAMPANHA ELEITORAL

Um dia marcado por absoluto frenesim no tocar do gong para o início da campanha eleitoral destinada às segundas legislativas marcadas para 5 de Setembro.
Bandeiras fortemente coloridas encravadas no para brisas e pessoas engalfinhadas em viaturas gritando pela sigla deste ou daquele partido, mostrou que de facto a campanha eleitoral está aí, para ao cabo de cerca de trinta dias, chamar a si o eleitorado.
Dez partidos e quatro coligações estão na corrida dos “100 metros eleitorais” para as segundas eleições gerais em 33 anos de independência e 16 anos depois das primeiras, realizadas em 1992.
Indubitavelmente, os olhos estão postos nos dois maiores adversários políticos, MPLA e UNITA, sem desprimor dos demais, que com toda a legitimidade que os assiste reconhecem a sua pequenez, mas admitindo, porém, que têm uma palavra a dizer no processo.
O partido vermelho, preto e amarelo (MPLA) começou com comícios políticos em todas as cidades do país, mas o acto central aconteceu no Bié, um dos bastiões da UNITA no Sul de Angola.
A máquina partidária do “maioritário” fez deslocar para este cenário figuras proeminentes do aparelho de estado como o Ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, e os secretários do partido para a área da mobilização e economia, respectivamente Faustino Muteka e Joana Lina.
Um outro dirigente do partido, Rui Falcão, afirma que o seu partido fará uma campanha “tranquila” para vencer as legislativas e continuar a governar o país na “senda do desenvolvimento”.
“Esperamos que esta campanha eleitoral surta os efeitos desejáveis. Desde Abril que estamos a trabalhar e o nosso grau de preparação é bastante elevado”, aponta Rui Falcão.
A UNITA, assinalou o começo da campanha com actos de massa provinciais de pequena dimensão para chamar a atenção para os seus propósitos eleitorais. O secretário para a comunicação e marketing, Adalberto da Costa Júnior, refere que o seu partido está preparado para fazer a campanha eleitoral reiterando a necessidade de haver alternância do poder em Angola.
“Temos a expectativa de haver uma campanha com a maior transparência possível, embora o partido do regime não esteja habituado a estas situações”, assinala Costa Júnior.
O dirigente do maior partido da oposição promete que a UNITA “vai realizar uma campanha com muito civismo, com cuidado no discurso e sem falsas promessas, já que nenhum outro partido, até agora, praticou actos de transparência como a UNITA”.
Mas afinal no meio de tudo isto, os partidos não receberam ainda as verbas para a campanha eleitoral, sendo que os mais prejudicados são os mais pequenos.
Benjamim da Silva, da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), reclama que o seu partido ainda não recebeu as verbas para a campanha eleitoral, mas não desistirá de concorrer às eleições.
“Mesmo assim, tal como em 1975, avançaremos mesmo com armas primitivas para fazer uma boa campanha eleitoral”, garante.
O PAJOCA e o PRS estão na mesma situação. David Mendes, o mandatário da campanha do PAJOCA afirma que o partido fará a campanha a seu jeito, apesar de não possuir as verbas para tal.
As primeiras eleições gerais em Angola foram realizadas em 1992. As presidenciais foram interrompidas com o reacender da guerra civil que apenas terminou em 2002, com a morte em combate do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi.
Prevê-se que 8,3 milhões de angolanos deverão votar pela segunda vez na história do país, 16 anos após as primeiras eleições e seis depois da paz.
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