Prémios, credibilidade, seriedade - II e fim

Prémios, credibilidade, seriedade - II e fim
A estreia do prémio ‘Ricardo de Melo’ pela Sociedade Civil introduz uma inovação notória. Sobretudo pelo júri. Elegeu uma plateia de figuras à altura de romper com a “langue de bois”. Em especial, duas personalidades que se têm ilustrado pelo pedagógico e comedido exercício da liberdade de expressão. Citamos: Marcolino Moco, ora docente, após ter sido secretário-geral do MPLA vencedor das eleições em 1992, primeiro-ministro e primeiro secretário executivo da CPLP; e o jurista Onofre dos Santos, primeiro juiz-conselheiro do Tribunal Constitucional, a ressalvar publicamente a posição individual com uma declaração de voto. Os demais jurados foram Luísa Rogério, secretária geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA); Carlos Figueiredo, perito do PNUD, e Mário Lironel, perito da Embaixada americana do Departamento dos Direitos Humanos.
Quanto ao resultado, a verdade manda dizer que não coincidiu tanto com a expectativa gerada. O sufrágio frustrou muita gente séria, ao ter preferido um mero candidato à carteira ou, seja, um oficiante por confirmar a profissionais já afirmados na praça.
Dita, a memória do saudoso patrono do galardão, recordar o conteúdo da sua saga. Ricardo de Melo brilhou na prática do noticiário inédito. E não nas divagações dos estudos esotéricos e incendiários artigos opinativos, com a nossa devida vénia a estes últimos géneros no jornalismo póstumo. O sucesso do ‘Imparcial Fax’, a sua publicação, deveu-se à curiosidade natural do público, frustrada pelo modelo estatal da informação de propaganda, que vigora grosseiramente até hoje. Surgiram e afirmaram-se ícones na resistência a essa linha caduca, defendendo com humildade a alternativa. Esta nossa opinião não tem nada a haver com a mania veterana, convictos que somos de que mora na sã juventude o potencial de equilibrar o inquinado. Convictos, também, na seriedade com que se deve assumir a função caritativa do enquadramento das jovens gerações e testemunha para a posteridade. Que se pense, no futuro, na modalidade de homenagem virada para a categoria de aspirantes.
Enfim, contra as falhas de isenção, idoneidade e credibilidade, a seriedade é o melhor remédio.
Seja como for, é bom que a competição tenha ressurgido contra o monopólio anterior da burguesia burocrática e do Estado.
Viva o prémio que vier a redundar no eco do apelo saído do recente Sínodo a um jornalismo «em ordem ao desenvolvimento da pessoa humana e da evangelização.» Isto é, na nossa bitola, o jornalismo cuja ética promove «uma cultura de diálogo que evite a divisão, o sensacionalismo, a desinformação e a banalização ofensiva do sofrimento humano, que podem prejudicar a harmonia e a paz da sociedade e das comunidades.»
(Uma co-produção de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Margaret Nanga no programa 'Visão Jornalística da 'Rádio Ecclesia', na quinta-feira 12 de Novembro de 2009)
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