A MAKA DOS ARDINAS

Em Fevereiro último, agentes da ordem pública incomodaram os ardinas durante duas semanas sucessivas. Segundo os jovens, tratou-se de uma habitual prática, que, volta e meia, protagonizam os agentes, abusando impunemente da farda.
A versão da polícia culpou os ardinas, justificando a acção pela necessidade de regularizar o trânsito, que os vendedores dos semanários perturbavam.
Congratulámo-nos com a deliberação do Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS) sobre a ocorrência. Mas, em ambiente verdadeiramente democrático, ter-se-ía ido mais longe, exigindo a indemnização dos órgãos e jovens prejudicados. E, também, exigir as devidas medidas contra os responsáveis individuais do abuso.
No Estado de direito, compete ao foro judicial, contactado pelo lesado ou associado, decidir, ainda que sumariamente. Tem havido processos do género. Se o erro foi dos ardinas, estes apanhavam com razão. Se foi da prepotência dos agentes, idem. A terceira república não deveria pactuar com derrapagens desta índole, venham de onde vierem.
Fique a lição para o futuro. Os órgãos públicos estão agora de sobreaviso. A vigia do nosso olhar sacudir-lhes-á em prontidão complementar.
Circule a informação como se deve no país a normalizar globalmente, desafio em que se inclui o repto do circuito de distribuição dos jornais. O mercado do negócio ainda não é favorável. Criar as condições para tal devia ser outra interpelação do poder público, no papel motor.
A presente paisagem, deserta em quiosques, já não serve. Os ardinas são aliás, no lado negativo, a denúncia adicional do anacronismo, que reclama a modernização, na era de um mundo em vias de globalização.
Pensado nesta era, apetece lembrar uma luz dimanada do Sínodo dos Bispos para África, realizado nos finais do ano transacto.
Citamos:
«Num mundo globalizado, o uso cada vez mais perfeito e a maior disponibilidade dos diversos meios de comunicação social (visual, áudio, Internet e impressos) é indispensável para a promoção da paz, da justiça e da reconciliação em África.»
Fim de citação.
Enquanto se caminha para lá, pelo menos não toquemos mais nesses jovens que desenrascam a vida, vendendo o que o Povo gosta de ler. O Povo é adulto para discernir o justo do errado, a verdade da mentira. A tempo, ele, o povo leitor, será o efectivo e derradeiro juiz de peso dos bons e maus jornais.
(Uma co-produção de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Margaret Nanga no programa ‘Visão Jornalística’ da ‘Rádio Ecclesia’, na quinta-feira 25 de Março de 2010)
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