EM SINTONIA COM A CONSCIÊNCIA UNIVERSAL

Enfim, Angola oficial dignou-se celebrar o dia internacional da liberdade de imprensa em sintonia com a consciência universal.

 

Pelo menos, ao ter abraçado o lema orientado pela UNESCO, “Liberdade de informar: o direito de saber”. Sim, pelo menos… pois, na perspectiva global, a seriedade aconselha olhar para o longo caminho de sobra. Longo caminho, cujas balizas (tal como costumamos, por dever sagrado, lembrar neste espaço, ainda que brevemente) se chamam:

- O levantamento da limitação da ‘Rádio Ecclesia’ à Luanda;

- A reforma editorial da mídia pública em abono da sua credibilidade plural e devido distanciamento;

- A descriminalização da lei de imprensa, sua regulamentação e doravante sua actualização constitucional;

- A equação das línguas nacionais;

- A promulgação da lei sobre as rádios comunitárias;

- O amparo público à mídia privada;

- Etc.

 

Este recordar não impede que nos congratulemos e encorajemos os pequenos passos que aqui e acolá se têm registado. E desta vez, a vénia do Estado angolano à efeméride, sob o lema da UNESCO. Nas edições anteriores, preferia-se alardear tópicos de ofuscação do valor homenageado. Oxalá, seja irreversível portanto esta boa viragem.

 

Para tal, importa que a Sociedade Civil, maior interessado do direito à livre informação, constitucionalmente consagrado, se mantenha acutilante. A começar pelas organizações da classe jornalística, que têm vindo a afrouxar. Desta vez, por exemplo, nada se ouviu do MISA-Angola em relação ao evento. Do Sindicato dos Jornalistas, apenas ecoaram referências marginais de certas figuras suas em parcos espaços radiofónicos. Nenhuma actividade de vulto e original à dimensão do acontecimento! Da AJECO e das Mulheres Jornalistas, que têm mostrado certa vitalidade visível, quase nada também se escutou. Das demais organizações, silêncio tumular confirmando a sua lendária letargia, via de regra sacudida só quando alforriadas pelos opacos donos das suas autonomias!

 

O panorama traduz, é pena, o grau de consciência civil e cívica da classe: sem a força anímica dos seus remotos pioneiros ‘ambakistas’, nem daqueles, mais recentes, que se distinguiram no limiar da democracia plural, ao lançarem o primeiro sindicato livre e independente no país.

 

Os desafios renovados da pátria exigem um renovar de alento das jovens gerações da classe através do envolvimento de sinergias para efectivação do congresso do seu sindicato, já muito atrasado. Só assim, a sua agremiação resgatará o lugar de destaque na comemoração tradicional do 3 de Maio, nos verdadeiros marcos da consciência universal. É de realçar que a efeméride, na sua essência, corresponde mais à responsabilidade da Sociedade Civil do que à burocracia do Estado.

 

Só com a tomada de consciência desta índole, a classe poderá ir proporcionando ao seu ofício a vitalidade e a protecção que requer a sua nobreza, mesmo na época digital, alvo da mensagem especial do Santo Padre de 16 de Maio último.

 

«Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna criada pelos meios actuais de comunicação», exortava na referida mensagem.

 

Embora destinada aos sacerdotes, obviamente estende-se àqueles que, como os jornalistas, partilham o apostolado de satisfazer o direito consagrado e sagrado dos cidadãos de serem informados e de se informarem sobre a actualidade.

 

(Uma co-produção de Siona Casimiro e Padre Maurício Camuto. Apresentação de Margareth Nanga.)

Luanda, 03 de Junho de 2010

 

 

 

 


<< Voltar   Acrescentar Comentário

Documentos relacionados (0)

Mostrar

Comentários (0)

Nenhum comentário existe..
Every one of our article posts has been categorised by the writer in two different ways. First, the post is linked to the section of the newspaper that it relates to. The front page of the site has links to the archives of these sections. This is simple.
The second way, however, is more involved. The writer adds keywords to each post to more finely describe the subject matter. These are called 'tags'.
We're not the only people to use tags. Del.icio.us and Flickr are the most notable, and well worth exploring.