VERSÁTIL QUADRO MEDIÁTICO

 

 

O movediço quadro mediático nacional manteve-se fiel à sua versatilidade nos últimos meses.

 

 

Marcaram o período, entre os episódios mais badalados, algum passo do executivo na atrasada regulamentação da lei de imprensa, a sanção das entrevistas imaginárias pelo Conselho Nacional de Comunicação Social, o mandato vencido do presente elenco do referido Conselho e a compra de certos semanários. Relativamente à regulamentação, a expectativa está virada ansiosamente, agora, para o Conselho de Ministros.

 

O ministério de tutela já teria cumprido com o seu papel. Saberá o órgão superior despachar a volumosa papelada a tempo útil e com a eficiência desejada?

 

A papelada compreende inúmeros projectos de diplomas e leis. Os primeiros pararão no escalão decisório do citado órgão ao passo que os segundos só terminarão na Assembleia Nacional.

 

Quanto à duração completa da expectativa bem como a qualidade do produto final, a ver vamos.

 

Sobre a entrevista imaginária, partilhamos a reprovação deliberada pelo Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS) no mês passado.

 

É nosso entender que jornalismo e ficção, eticamente falando, são antonímicos. O primeiro sacraliza a deontologia da factualidade, da verdade; a ficção, ela, a fecundidade inventiva do real e irreal.

 

Nem o jornalismo literário, uma especialização de imitação da literatura, justifica entrevistas “bruxas”.

 

Consoante catedráticos pelo mundo fora, jornalismo literário chama-se, também, aliás, “literatura não-ficcional, não-ficção criativa, literatura da realidade, jornalismo em profundidade, jornalismo diversional, reportagem-ensaio, jornalismo de autor”.

 

Quanto à sanção penal do vício, que é a entrevista imaginária, seria de bom-tom a realização de um debate. Sendo a lei de imprensa omissa na matéria em termos taxativos, o debate possibilitaria o seu cabal tratamento jurídico.

 

A caducidade do mandato do CNCS esvazia toda a autoridade desta instituição, de pendor mais moral do que da burocracia clássica. Precisa de ser superada sem demora, pois nada, rigorosamente nada de sensato, justifica tamanha mancha.

 

A prática é o melhor critério da verdade quanto às promessas feitas pelos novos donos dos semanários vendidos sobre a continuidade da linha editorial.

 

Espreitemos a sua postura editorial a prazo suficiente, sem ocultar as preocupações que causaram já as informações sobre a censura de certas fontes e o culto de uma divindade profana.

 

Claro, iremos manter esta observação, com os olhos secos de sempre, animados pelo prestimoso ensinamento encíclico “Caritas in Veritate” de Bento XVI.

 

(Uma co-produção de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Margaret Nanga no programa ‘Visão Jornalística’ da ‘Rádio Ecclesia’ na quinta-feira 24 de Junho de 2010)

 

 


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