EFECTIVAÇAO DO SEGURO AUTOMÓOVEL OBRIGATÓRIO

Valente da Costa, motorista. – “De princípio, devia-se ver as condições das estradas, segundo factor devia-se ver a condição remuneratória dos cidadãos angolanos.

 

Eu tenho estado a conspirar que seja mais uma questão politica do que uma outra coisa. Por que? As asseguradoras do nosso país praticamente não funcionam. Eu acompanhei uma situação muito antes desta lei entrar em vigor de um cidadão que, naquela fase o seguro não era obrigatório, era para quem quisesse, mas já havia muitos problemas para a resolução desses assuntos.

 

Agora que é obrigatório para o país, quais são as asseguradoras que fazem face a esta questão? E há problemas muito sérios. Eu tenho um amigo que o carro foi batido há dois meses para cá até agora está de cima para baixo, não tem uma solução.

 

 

É aquilo que se diz: talvez o mais importante não é a quantidade de leis, talvez seria a qualidade”.

 

 

Elísio Magalhães, funcionário público: – “De princípio, seria uma coisa bem-vinda. Por que seria? Isso é uma fachada para meter o camponês que não tem noções de certas situações deste país explorar o seu dinheiro e depois não ser assegurado.

 

Nós temos problemas de estradas, temos problemas, porque o governo não pensou em fazer o seguro obrigatório de saúde á todo povo angolano? Seria uma coisa muito benéfica. Primeiro o seguro obrigatório de saúde para todo angolano, depois vinha o seguro de automóvel que também é benéfico. Mas não é ser um seguro obrigatório para uns e para outros não, e depois com esse maior problema que as asseguradoras têm.

Para quê termos um seguro de automóvel obrigatório se nada funciona? É o que dizia alguém: ter leis, leis excelentes ou leis a mais, tantas leis para não serem cumpridas, e essas leis quem cumpre é o camponês, é o pobre, os demais não cumprem.

 

Na minha opinião o governo primava primeiro pelo seguro obrigatório de saúde depois o seguro obrigatório automóvel porque não estamos a ver nada, ganhamos mal, vamos ir pagar seguro automóvel para quê e por que? Se nem estradas em condições temos?

 

 

Mousinho Pires, professor: – “Seguro é uma coisa benéfica, os automóveis devem estar assegurados. Mas o problema de Angola é um caso que me dá a impressão que é caso que nasce particular ou pensamento de quem vai para cama de noite dormir e dia seguinte tomou decisões.

 

 

É benéfico o seguro, mas o seguro tem que vir para privilegiar e ajudar o cidadão. O seguro automóvel é vantajoso, mas Angola tem muitos problemas, em Angola o seguro automóvel dá-me a impressão que é a lei criada por alguém que dormiu e pensou.

 

Entretanto é preciso que o governo pense primeiro e não tome as leis em suas casas, sozinho, à noite. É preciso reflectir, consultar, ver os problemas que o povo tem, ver a situação dos salários que eles pagam e ver a norma”.

 

 

Domingos Adão, funcionário público: – “As nossas asseguradoras tinham que ter as próprias oficinas. Eu tenho um vizinho que a tempo acidentou com a viatura e foi para a asseguradora e a asseguradora mandou-lhe ir tirar uma pró-forma no bate chapa, o bate chapa tirou a pró-forma, e pediu três mil dólares, foi ao pintor pediu dois mil e quinhentos dólares, tudo isso deu cinco mil e quinhentos dólares, até agora o problema não foi resolvido. Quer dizer que as nossas asseguradoras não têm condições, já têm problemas financeiros”.

 

 

Fernando Heitor, estudante: – “Quando estamos a falar de seguro automóvel nós temos de rever primeiramente o salário, nós temos um salário muito baixo e que de facto não serve para nada.

 

As asseguradoras têm muito e muitos problemas. Eu estou até agora com o meu carro espatifado e a assegurador até agora não fala nada, vou para lá eles dizem que vão mandar uma equipa que vai rever aquilo, estou cansado e optei por comprar uma outra viatura.

 

Eu acho que as nossas asseguradoras têm que rever isso, eu acho que o destino do país não é este”.

 

 

 Moisés Mateus, reformado:– “Eu penso que as pessoas deviam ver esta situação, no mínimo trinta e tal mil, quarenta. É muito dinheiro que entra, chegamos ao fim do mês, fim do ano para pagar, onde é que a gente vai encontrar esse dinheiro todo? Uma vez que os nossos vencimentos como reformados é uma miséria.

 

Quanto é que vou conseguir arrecadar até fim do ano e conseguir pagar este dinheiro todo? Isto é injusto. Eu penso que as autoridades do país devem repensar nisso”.

 

Alberto Alves Coimbra, empregado de balcão – “Este seguro de automóvel obrigatório não é senão mais uma oportunidade desta gente fazer negócio.

 

Quem são os donos dessas asseguradoras? Se reparar a maior parte dos ouvintes reclamaram contra as asseguradoras, não cumprem com o seu dever, não estão a cumprir com o seu dever, eles pagam o seguro, em contrapartida as asseguradoras não pagam o trabalho que deviam fazer.

É mais uma forma de roubo, esta é mais uma forma de roubar dinheiro as populações. É aí onde o Estado devia intervir, mas o Estado não está a intervir”.   

 

Inácio segunda, estudante:– “Eu acho que a efectivação do seguro é importante na vida de qualquer um, de qualquer condutor que se preze a andar nestas estradas.

 

Eu acho que devia haver mais um bocadinho de responsabilidade por parte das empresas seguradoras”.

 

Paulo Brilhoneve, licenciado em comunicação social:– “Não se entende, não se percebe como é que o governo exige que as pessoas paguem seguro automóvel obrigatório quando de facto as asseguradoras não têm condições para acudir situações adversas.

 

O Estado devia fiscalizar, e devia de facto ser obrigatório no sentido da palavra. Há um sistema que devia funcionar e neste sistema há diversos agentes como os polícias, as agências seguradoras.

 

A obrigatoriedade da fiscalização devia pertencer ao Estado. O Estado não pode obrigar que as pessoas paguem o seguro, quando de facto na prática uns saem a ganhar e outros saem a perder”.         

 

 

Isidro Ernesto, supervisor:–“Eu ganho duzentos, trezentos dólares. Obrigatoriamente tenho que pagar o seguro, mas quando acontece os danos a pessoa fica três, quatro ou mesmo um ano sem o carro.

 

Antes de nós implicarmos a ordem é preciso pelo menos analisar. Pelo valor que estão a pedir é mesmo muito, quantos carros circulam aqui em Luanda? Pelo valor que se pede é muito. No máximo para mim seria cem dólares, mais do que isso não dá certo, porque nem todos têm possibilidades, não vamos comparar alguém que tem um Starlet com alguém que tem frotas de camiões”. 

 

 

 

Padre Daniel Malamba:“De facto a lei é boa, é sumamente importante que todos os cidadãos tenham esta lei, e que a policia exerça também a sua função.

 

Nós durante a guerra não tínhamos muitos serviços a funcionarem, depois da guerra está se procurando queimar etapas, eu vejo que faltam detalhes.

 

A iniciativa é positiva, é bem-vinda. Mas nós não sabemos regular a nossa vida, fazer leis e primando pelos detalhes, os detalhes são esses que fazem a realidade.

 

Eu penso que o problema não é ser este ou aquele, que o dono de uma asseguradora seja o ministro, o director ou o general, o mais importante é que: seja quem for que haja eficiência na atenção ao seu cliente, que haja respeito, não é por ostentar uma patente, não é por ostentar um cargo público que tenha a prerrogativa de não atender bem o seu cliente.

 

 

O seguro como seguro está bem feito. Há muita burocracia, que torna este processo inacreditável, quer dizer: faz perder o crédito aos seguros por causa dessa burocracia.

 

O seguro em todo mundo funciona, não funciona em Angola, não porque o seguro seja um lugar onde se exerce a burocracia é porque é o angolano que faz isso.

 

A questão é da pessoa, é do contexto. Eu penso que com experiência vamos aprendendo, com experiência vamos ganhando cada vez mais essa celeridade, esse respeito pelo cliente.

 

De facto os preços em Angola estão nas estrelas, e isso obriga muita gente a pagar multa aos polícias e não pagar o seguro.

 

O seguro em todo mundo funciona, só que no nosso país o caso é realmente peculiar, é porque estamos a lidar entre nós. Se nós nos respeitarmos e fazer funcionar todas as instituições do país, penso que não haverá problemas de reclamação de seguros.  

 

Como tornar efectivo o seguro obrigatório em Angola? Em primeiro lugar devemos respeitar a lei, se a lei diz que o seguro é obrigatório todo utente de veículo deve assegurar a sua viatura. Em segundo lugar que as asseguradoras tenham capacidade de resolução dos casos com celeridade. Portanto, acabar com a burocracia das asseguradoras, que as asseguradoras sejam capazes de imprimir a mesma dinâmica na cobrança e no ressarcimento, muitas vezes há uma disparidade.

 

Para que a efectividade do seguro seja realmente real em Angola, é preciso também que a policia não pare de actuar. Quer dizer, há muitas leis que só funcionam durante uma semana. É necessário que se acabe com a morosidade, é necessário que haja oficinas que sejam capazes de certificar o estado da viatura, porque há viaturas que estão a pagar tão caro e não merece pagar aquilo, porque já estão acabadas, não há lugar onde a asseguradora tenha a capacidade de dizer que este carro vale a pena assegurar porque é bom.

 

Se não houver oficinas de qualidade, se não houver lugar onde as asseguradoras façam um contrato com diz ou mil oficinas para serem céleres na actuação e na resposta aos seus clientes, não adianta.

 

Falta informação. Eu penso que depois de quatro meses de entrada em vigor é necessário fazer um exame, fazer uma avaliação, que as asseguradoras venham na televisão, na rádio, no jornal dizer como é que estão realmente, que a policia diga o estado efectivo dos assegurados, como é que se atende, e que se comece uma nova informação.

 

Porque isto é bom, em todos os países existe, não porque existe em todo país, mas é importantíssimo para todo cliente, porque o carro é um bem e este bem pode provocar danos, estando assegurado temos uma instituição que nos vai auxiliar.

 

É preciso acabar com a inadequada inspecção de riscos, os riscos devem ser bem calculados para fazer um seguro, acabar com a inadequada regulação de sinistros, acabar com a inadequada investigação dos casos, sobretudo com a inoperância das instituições ligadas aos seguros, isso deve acabar. E acabar com a impunidade generalizada, tanto o descanso das autoridades quanto das asseguradoras.

 Tudo isso deve acabar para colocar realmente este processo que já está aí, esta lei que já está ali, muito boa para o país, muito civilizadora em muitos casos para os utentes, salva vidas, sobretudo obriga os nossos irmãos a regularem-se bem


<< Voltar   Acrescentar Comentário

Documentos relacionados (0)

Mostrar

Comentários (0)

Nenhum comentário existe..
Every one of our article posts has been categorised by the writer in two different ways. First, the post is linked to the section of the newspaper that it relates to. The front page of the site has links to the archives of these sections. This is simple.
The second way, however, is more involved. The writer adds keywords to each post to more finely describe the subject matter. These are called 'tags'.
We're not the only people to use tags. Del.icio.us and Flickr are the most notable, and well worth exploring.