HUMANIZAR O MUNDO EM PERMANÊNCIA

Encerrou no mês de Junho o Ano Sacerdotal, aberto pelo Papa Bento XVI a 19 de Junho de 2009.
Uma missa campal, concelebrada por uma histórica plateia multinacional de padres, com o Santo Padre à cabeça, teve lugar na sexta-feira 11 de Junho, Festa do Sagrado Coração de Jesus, na Praça São Pedro, em Roma, de onde se difundiu as imagens para os quatros pontos cardeais do globo.
Programa similar ocorreu nas Igrejas locais, tendo-se destacado no nosso país, o formato regional em que se juntaram as dioceses do Leste, do Norte, do Centro e do Sul.
As primeiras (correspondentes às províncias de Moxico, Lunda Norte e Lunda Sul) convergiram no Dundo. As segundas (agrupando Luanda, Viana, Bengo, Cabinda, Zaire, Uige) encontraram-se em Caxito.
Ainda no Norte, as províncias de Malanje e Kuanza Sul juntaram-se em Ndalatando, ao passo que no Centro, se juntaram as províncias do Kuando Kubango e Bié no Huambo.
Tal como em Ondjiva, onde a ocasião foi abençoada pela ordenação de cinco diáconos, a simbolizar a vitalidade do crescimento eclesiástico um pouco por todo lado. Ali juntaram-se as províncias do Namibe e Huila.
Fiéis e o público em geral estão curiosos em conhecer o balanço exaustivo do evento até final do ano, com as estatísticas atinentes. Este tipo de avaliação torna-se indispensável para a futura caminhada mais eficiente, sobretudo no prisma nevrálgico da auto-suficiência.
A ocorrência da II Plenária do Sínodo dos Bispos para África, realizada em Outubro passado, avultou, no decurso do Ano Sacerdotal, para o nosso continente. No plano teológico, as suas oportunas conclusões aguardam pelo instrumento pontifical apropriado.
Na homilia do dia 11 de Junho, o Santo Padre enalteceu o padroeiro dos Sacerdotes, São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, como modelo de ministério sacerdotal no nosso mundo.
Abordou a questão dos abusos sexuais na Igreja e pediu um explícito perdão a Deus e às vítimas dos abusos cometidos por sacerdotes, religiosos e bispos. Enfim, com a luz sagrada do Espírito Santo, frisou a missão transcendental do padre:
«O sacerdócio não é simplesmente «ofício», mas sacramento: Deus serve-Se de um pobre homem a fim de, através dele, estar presente para os homens e agir em seu favor. Esta audácia de Deus – que a Si mesmo Se confia a seres humanos; que, apesar de conhecer as nossas fraquezas, considera os homens capazes de agir e estar presentes em seu nome – esta audácia de Deus é o que de verdadeiramente grande se esconde na palavra “sacerdócio”».
Obviamente, o alcance cabal desta elevada reflexão teológica exige fé. Fomentar esta fé nos profanos e alimentá-la nos crentes são justamente o múnus dos consagrados. Na palavra e na prática.
Mas, sem exclusividade. Pois, eticamente falando, nenhuma criatura à imagem de Deus se pode apartar do projecto de humanizar o mundo em permanência. De resto, o supracitado trecho da homilia ilustra quanto o projecto divino radica na confiança no homem.
(Uma co-produção de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Margaret Nanga, no programa ‘Visão Jornalística’ da ‘Rádio Ecclesia’, na quinta-feira 01 de Julho de 2010)
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