COMOVENTE HUMILDADE DE UM PATRIOTA

Lições decorrentes da morte do nacionalista Paulo Jorge ainda alimentam a opinião pública. Comentários destacam o seu testamento sobre o local da inumação, além de outros feitos que o homem realizou durante a sua agitada peregrinação na terra entre os vivos.

Cumprindo com a sua última vontade, ele foi enterrado ao lado da mãe, no cemitério de Santa Ana, segundo a versão oficial. Na norma do Protocolo de Estado, ele tinha o direito de ser sepultado no cemitério do Alto das Cruzes, necrópole solene, herdado da colonização, que Paulo Jorge passou a vida a combater. A combater, tal como seus companheiros sobreviventes, que se acomodam com este paradoxo, próprio dos sinuosos destinos históricos.

Para o homem da rua, o testamento do finado é uma comovente confirmação da humildade, mansidão e princípios que caracterizava sobremaneira Paulo Jorge, quando em vida. Desmentiu até, do ponto de vista de alguns, certa aparência de militante sectário e fanático, que o seu longo percurso no templo do único partido poderia supor. Escolheu, segundo estes comentaristas, aconchegar-se junto dos restos mortais da progenitora natural e não, na pomposa necrópole de um sistema com o qual já sentia dificuldade de identificar-se cegamente, tal como ilustrou o seu volte-face de recusar conceder uma entrevista, que prometera antes, a um semanário da praça.

Veterano deputado pelo MPLA, de facto, a sua figura havia transposto muito o colete meramente partidário, inscrevendo-se no círculo das figuras de significativo consenso nacional. Paulo Jorge já não pertencia ao MPLA, mas à Nação, observou, com justiça e justeza, um elogio de circunstância do Dr. Justino Pinto de Andrade, animador de uma formação da Oposição em gestação, eminente catedrático e activista cívico. Sem receio de errar dizemos que esta avaliação foi unânime.

Portanto, louvor e honra aos seus companheiros de partido pelo facto de terem respeitado a sua vontade quanto ao local do seu funeral.

Conjunto de gestos deste género, no país, só conforta a fé na possibilidade de se viabilizar o frequente ensinamento da Igreja no sentido de «trabalharmos numa sociedade mais humana, mais fraterna, mais solidária».

O teor deste veemente apelo consta da mensagem de Dom Manuel Imbamba aos seus co-diocesanos do Dundo e Saurimo, referida na entrevista que ‘O Apostolado’ publicará dentro em breve.

(Uma co-produção de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Margaret Nanga no programa ‘Visão Jornalística’ da ‘Rádio Ecclesia’, na quinta-feira 08 de Julho de 2010

 


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