A POBREZA NO ESPAÇO LUSÓFONO

A Igreja no espaço lusófono soltou a voz profética. Desta vez, foi da capital de São Tomé, onde se realizou, de 2 a 8 de Julho corrente, o IXº encontro das respectivas Conferências Episcopais. O evento teve por lema, eloquente de per si: “Pobreza e Exclusão Social” nos países de expressão oficial portuguesa.
A constatação, básica e consensual da intensa meditação colectiva, foi de que “os objectivos do milénio, que deveriam estar alcançados em 2015, estão muito longe de serem atingidos. Com efeito, o fosso entre ricos e pobres tem aumentado.”
Também, se notou que o péssimo quadro resultava da “apropriação indevida dos bens, que deviam ser de todos, e estão a ser cada vez mais usurpados por oligarquias de poder político e económico que, sem qualquer escrúpulo, enriquecem à custa dos pobres.”
Esta realidade verifica-se, por exemplo, acrescenta a análise, «na gestão das terras, da água, das madeiras e de outros bens essenciais que, muitas vezes, sofrem aumentos insustentáveis de preço na sua venda ao público.»
Na linha de assumir o magistério de sal e luz, com os olhos secos, o episcopado, ainda, reparou, entre as causas da crise, «as debilidades cada vez maiores das instituições da chamada sociedade civil, por falta de preparação técnica e consciencialização cívica na defesa dos seus legítimos direitos.»
Na mesma esteira do seu múnus, subsidiou a receita da alternativa ao deplorável panorama.
«Para haver menos pobreza e mais desenvolvimento, entre outras coisas, é fundamental tomar medidas no campo da partilha da terra e da distribuição da riqueza, sem esquecer o combate à corrupção e a promoção de empregos dignos», preconizaram os bispos, genericamente.
Participaram nesta cimeira, os prelados de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Faltou Timor-Leste, sede encarada, contudo, para o Xº ou próximo encontro.
Os conferencistas gozaram da hospitalidade do país anfitrião, até ao seu mais alto mandatário, Fradique de Menezes. Este concedeu-lhes audiência no dia 2 de Julho, em que arrancou o conclave.
Na ocasião, o presidente de São Tome e Príncipe realçou o seu apreço pela obra da Igreja Católica no seu território, no campo espiritual, da acção social e como elemento pacificador.
Bem-haja, o são relacionamento entre o Estado e a Igreja manter-se nestes marcos positivos, ao bem das populações africanas, sedentas de sentir cada vez mais os frutos das independências, 50 a 35 anos depois, para além dos estereótipos da propaganda oficial! E, sobretudo nesta altura em que, no Continente, a Igreja renova o vigor da sua missão profética, estimulada pelos ensinamentos do recente Sínodo.
(Uma co-produção de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Margaret Nanga, no programa ‘Visão Jornalística’ da ‘Rádio Ecclesia’, na quinta-feira 15 de Julho de 2010)
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